quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Maré na ilha de Fohr


Feito vento a soprar as nuvens, maré vazante
lentamente se põe cheia
e realça a sua canção de mar,
ardor fugidio de um sonho de outono
a se avivar junto aos fios de areia, —
se é fresco, pois, em sua ascese incendeia
o irromper, da gaivota, o ganido
em alva cintilância.


Suavizado, em estranhamento
se recolhe o passo do viandante.
Contornos recortados pela luz
têm como guia luzires distantes,
e deles a grandeza atrai radiâncias
a infundir mar em mar. —
Cindida, nossa existência se anuvia:
Infinita. A gravidade de todas as costas.


Maria Gerth
(de “Wanderungen zwischen Traum und Zeit”
 [Andanças entre sonho e tempo], R. G. Fischer Verlag)